segunda-feira, 30 de julho de 2012

Edi Roque: Traçando seu caminho!


por Joana D’arc


Transmitir sentimentos a cada nota musical e fazer com que o ouvinte possa captar sua mensagem não é tarefa das mais fáceis. Com composições muito bem feitas, Edi Roque consegue conquistar os amantes de riffs e solos tocando de forma bastante peculiar e apresentando sua notável expe­ri­ên­cia com pro­du­ção. Sincero a cada acorde, Edi cria um clima bem reflexivo através de suas composições, esbanjando versatilidade e técnica. Segue abaixo uma entrevista concedida pelo guitarrista que, mostrando-se um excelente e carismático profissional, fala sobre suas influências, sobre a receptividade do mais recente trabalho lançado, sobre as dificuldades enfrentadas nas gravações e outros pontos de sua carreira como músico.

Fale um pouco sobre seu contato com a música.

Edi Roque: Eu comecei na música muito cedo, influenciado pelo meu pai, que tinha um teclado em casa e tocava eventualmente, aos 5 ou 6 anos fui ter aulas de piano e não parei mais. A transição para a guitarra aconteceu aos 11 ou 12 anos após ouvir “Little Wing” (Hendrix), foi ali que eu descobri o que queria fazer pelo resto da minha vida. Passei anos adaptando estudos do piano para a guitarra e só aos 14 anos fui ter aulas de guitarra com o Fernando Medeiros. Depois disso tive aulas de composição e arranjo com o maestro Ferdinando d’Oliveira e aulas de harmonia e orquestração com Michel Perie.

Como você desenvolveu sua técnica como músico? Há algum guitarrista atual que você considere como influência?

Edi: Minha técnica vem desse período que passei adaptando o que aprendi nas aulas de piano para a guitarra. O fato de ser um canhoto tocando destro também faz com que eu tenha muita facilidade em tocar ligados em várias aberturas e salto de cordas, pois a mão mais forte acaba sendo a da escala. Na verdade, por ter começado muito cedo, eu acabei amadurecendo precocemente (risos) e sinto que minha abordagem na guitarra se tornou muito mais voltada para o lance da composição mesmo do que meramente técnica. Embora eu possa tocar qualquer coisa, acabo sempre utilizando a guitarra como uma ferramenta para expor uma ideia principal. E é bacana isso porque consigo fazer as coisas parecerem mais simples (risos). Meus guitarristas preferidos são os mesmos de quando descobri o rock: Hendrix, Gary Moore, Paul Gilbert, Andy Timmons. Tem muita gente que vai ficar de fora (risos).

Você lançou em 2011 o disco “Caminho”. Comente a respeito da gravação do trabalho.

Edi: Esse projeto começou muitos anos atrás e ficou encubado todo esse tempo, pois eu estava produzindo muita gente e não sobrava espaço pra cuidar do meu próprio trabalho (risos). As músicas gritavam dentro de mim e chegou um momento em que tive que jogar tudo pra fora, eu não havia ainda escrito nada, tudo estava na minha cabeça, desde a imagem da capa até a ideia de dividir o disco em 3 partes. Fiz uma pequena pré-produção apenas pra definir alguns detalhes de arranjo e gravei o CD em um mês. Minha meta era finalizar tudo em 15 dias, mas eu tive uma crise de tendinite já na pré-produção, o que me limitou a gravar uma música por dia, em dias alternados. Foi um processo doloroso e muitas das partes registradas ficaram diferentes do que eu queria fazer, mas estava determinado a gravar aquilo. Algumas músicas foram gravadas no primeiro take, outras precisaram de emendas e períodos de descanso para serem registradas.

Você faz referências à Bíblia nos títulos das canções. De certa forma, podemos considerar “Caminho” como um disco conceitual? Fale sobre o processo de composição das faixas. A repercussão obtida tem sido satisfatória?

Edi: Sim. O disco foi todo baseado em passagens Bíblicas e eu tenho recebido comentários de pessoas que compreenderam o projeto e tem utilizado o CD como a trilha sonora para a leitura. A repercussão tem sido ótima. Tudo que é feito com amor tem o seu devido retorno, e esse CD é fruto de muita dedicação.

Você conseguiu uma sonoridade extremamente agradável no disco. Qual foi o equipamento utilizado?

Edi: Obrigado. Basicamente meu som de guitarra é bem “cru”, coisa de guitarra empurrando um bom valvulado no volume 11 (risos). Tenho pedais fabricados por mim que é de onde vem o meu drive, chorus, delay e filtros, mas o mais importante é ter consciência de que os pedais apenas auxiliam a contar a história, você tem que ter conteúdo antes de ter o timbre. Eu não tenho necessidade de muitos efeitos e você pode até perceber alguma variação nos timbres ao longo do disco, mas está tudo na pegada mesmo, eu usei a mesma guitarra e a mesma configuração de pedais e ampli, apenas fiz algumas mudanças na equalização do ampli pra separar a guitarra base do solo, além de mexer no posicionamento do microfone também. O foco nas gravações de guitarra era captar a interpretação o mais rápido possível porque devido à crise de tendinite eu só tinha 30 minutos de mão pra gravar (risos). Trágico e cômico. Tenho esse som de guitarra há tanto tempo que não preciso pensar muito em como fazer a coisa funcionar.

Das faixas presentes em “Caminho” há alguma que seja especial para você?

Edi: Eu compus o disco todo sozinho, cada nota e cada acorde foram inspirados em experiências muito pessoais. Eu não saberia escolher uma faixa em especial.

A ideia de gravar discos instrumentais vem desde o início, quando você começou a tocar? Como se deu a escolha dos músicos que o acompanham?

Edi: Na verdade esse é o meu terceiro CD, os anteriores eram projetos de música com vocal, mas também haviam faixas instrumentais inseridas. Eu nunca fiz diferenciação entre música ‘cantada’ ou ‘tocada, como dizem por aí. Acredito até que a música ‘sem voz’ é a verdadeira expressão pura e universal, pois não existe a fronteira da linguagem, do idioma. Num futuro próximo irei lançar outro disco vocal, mas o projeto instrumental está abrindo algumas portas interessantes e pretendo finalizar essa trilogia que começou com “Caminho”. Os músicos que gravaram o CD simplesmente conheceram o projeto durante a pré-produção que eu já vinha fazendo sozinho e se ofereceram para gravá-lo. São grandes músicos e grandes amigos que contribuíram muito para o resultado desse projeto.

Qual a maior dificuldade em se gravar álbuns instrumentais?

Edi: Por mais estranho que possa parecer, a maior dificuldade, em minha opinião, é encontrar artistas dispostos a fazer música sincera. Hoje em dia todo mundo quer apenas ‘jogar para o público’, fazer coisas superficiais para agradar e poucos são os músicos que fazem a arte simplesmente pela própria arte. A internet também gera uma ilusão de que há um tipo de democracia virtual, e hoje é possível ao ‘artista independente’, se divulgar ‘de graça’. Isso é uma grande besteira porque as gravadoras também estão utilizando a internet pra massificar seus artistas. Basta entrar nos ‘YouTubes’ e ‘MySpaces’ pra confirmar isso, as gravadoras estão monopolizando o espaço virtual também. Competir com isso é algo assombroso, então a única arma que eu tenho nas mãos é o fato de ter feito um CD do jeito que eu queria e tocando composições que eu escrevi por amor à música. Ninguém me produziu, ninguém me ‘obrigou’ a fazer um determinado tipo de música ou tocar de um jeito diferente pra atrair um tipo de público. O que você ouve no meu trabalho é a mais pura expressão de quem sou eu enquanto ser pensante e criativo.

Como você encara a cena do Rock ‘N’ Roll no Brasil? Acredita que dá para viver só de música em nosso país?

Edi: Temos muitos músicos incríveis aqui. Diria até que somos mais capacitados do que muito gringo, pois ainda temos uma cultura que oprime e marginaliza o Rock. É só lembrar que o acesso a instrumentos de qualidade, métodos de estudo, professores capacitados, etc. é algo recente por aqui. Lembro-me de que há alguns anos atrás quem tinha uma guitarra importada era rico ou tocava com cantor famoso, tudo era mais difícil pra gente. A galera ouvia o solo que o Eddie Van Halen fez no “Beat it”, do Michael Jackson, e ficava imaginando o que era aquilo, (risos). Hoje as coisas melhoraram bastante, mas é tudo muito recente ainda. Outro detalhe, aqui é o País do Samba e sempre será. Quem vive o Rock ‘N’ Roll no Brasil, antes de tudo, é um guerreiro. Viver de música só faz sentido se você não puder viver de outra maneira, isso envolve passar dificuldades como em qualquer outra área, mas o sentimento de realização ao tocar e o prazer de empunhar uma guitarra supera qualquer obstáculo. Viver de música não é só pagar as contas tocando na noite ou dar aulas em casa. Tem que ser um ideal de vida, uma necessidade física e emocional.

Agradeço pela entrevista. O espaço é seu...

Edi: Quero agradecer primeiramente a vocês pelo espaço de extrema qualidade e pela oportunidade em falar a respeito do meu trabalho, que é mais do que uma profissão, é a minha vida. Preciso agradecer especialmente ao mestre Josino, ao Rafael e Marco, da Cast, que tem apoiado esse meu projeto com as melhores guitarras Custom Shop do Brasil, além do Tiago da Graphtech, que tem um sistema de piezo maravilhoso que equipa essas guitarras, e é o som de violão que tenho utilizado ao-vivo e em estúdio. Por fim, espero que as pessoas possam se identificar com a minha música e quem quiser conhecer um pouco mais sobre mim ou quiser contratar o workshop/apresentação é só acessar www.ediroque.com.br. No site é possível baixar o CD gratuitamente e acompanhar todas as novidades a respeito da agenda e também sobre o novo CD que será lançado ainda esse ano. Um abraço a todos. Música e paz.

Um comentário:

  1. Show d+...sem palavras...apenas...larari, larará (O Edi endende isso!kkkkk Let's Rock!!!!

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