segunda-feira, 31 de outubro de 2011

De São Paulo para o mundo: Razonator!

por Joana D'arc


Fazer música boa é muito mais que tocar e/ou cantar bem. Mesmo com pouco tempo de existência, a banda Razonator surge no cenário com seu Southern Rock mostrando que é preciso muita garra e determinação. E, acima de tudo, amar o que se faz. Na entrevista a seguir, Daniel Heinzl e Eddie Brandoff, respectivamente baixo/backing vocal e resonator guitar/vocal, contam um pouco mais sobre o início da banda, as expectativas em relação ao futuro, além de falar a respeito do atual momento vivido pela banda.

Bom, pra começar, a ideia da banda Razonator surgiu quando Eddie (então guitarrista do dueto/banda texana The Outlinners) estava para voltar ao Brasil. À época Daniel era baixista da banda Vendetta. Como foi a decisão de encerrar as atividades de sua banda para se dedicar à Razonator?
Daniel Heinzl: Na verdade, eu e o Eddie já tínhamos feito alguns trabalhos no passado, inclusive a ideia de tocar juntos já tinha surgido pouco antes de ele receber a proposta de ir para o Texas. A gente já vinha trabalhando em algumas composições e produções juntos. Só que cada um ainda estava com uma ideia diferente sobre o tipo de som que queria fazer. Mas naturalmente com o tempo acabamos tendo mais conexão musical do que estávamos tendo com nossas antigas bandas, ele trazendo toda a bagagem de Blues e Southern Rock dele, eu trazendo uma pegada mais do Heavy Metal mesmo. Eu, particularmente, decidi encerrar a Vendetta depois dos primeiros 30 minutos de "ensaio" que tivemos assim que ele chegou do Texas.

Como vocês veem o Southern Rock/Metal atual?
Eddie Brandoff: O Southern Rock sempre foi um estilo musical não popular, mesmo nos anos 70, quando o estilo se consolidou. Claro que com o sucesso de algumas bandas o estilo se espalhou mundialmente, mas foi praticamente o acidente aéreo envolvendo o Lynyrd Skynyrd em 1977 que fez a banda e o estilo ficarem mais conhecidos.  Atualmente continua na mesma: tem público, mas não chega a ser um estilo popular. Mas, mesmo assim, juntamente com o blues, continua sendo um dos estilos mais respeitados no mundo.
Daniel: E o metal, independente do que esteja acontecendo no mundo musical, sempre terá seu lugar.

Certo. Em minha opinião, Eddie é um dos melhores vocalistas da atualidade; ele tem uma voz bastante peculiar, e mesmo quem não conhece o trabalho da Razonator, reconhece que é ele quem está cantando. Como foi desenvolvido esse estilo vocal próprio?
Daniel: (risos) Essa você vai adorar responder.
Eddie: Bom, primeiro, obrigado aí pelo "um dos melhores vocalistas".  Na verdade, foi tudo um "plano Z"; eu nunca tive a intenção de cantar, mas depois que eu fui pro Texas e não achei vocalista nenhum lá, eu decidi arriscar. Pra cantar, eu me inspirei nos vocalistas que eu acho que têm essa coisa do poder da voz, não só a técnica: James Hetfield, Chris Cornell, Ronnie Van Zant, Rickey Medlocke e, claro, Zakk Wylde! Não que eu cante 1% do que eles cantam, mas são eles que me inspiram. Como sempre digo, não sou vocalista, sou um guitarrista que canta.

É difícil fazer música no Brasil, onde gêneros como o Rock e o Metal ainda são discriminados por uma grande parte da sociedade? Como vocês são afetados por essa discriminação?
Eddie: A gente não se preocupa com isso, porque a gente não faz música pro Brasil especificamente. A gente trabalha com uma pessoa, nossa manager, ela é da Inglaterra e planejamos fazer turnês na Europa no próximo ano. Em relação à situação do rock e metal no Brasil, não tem muita novidade, sempre foi assim, é uma questão cultural. O Brasil é o país do samba e sempre vai ser. Nós somos os rebeldes da história.

A linha de contrabaixo e bateria tem um resultado muito bacana nas músicas. Como é trabalhada a harmonia entre Daniel e Caio Gaona?
Daniel: A gente tenta sempre deixar o som o mais "compacto" possível, sempre pensando na música de um modo geral, sem tentar colocar mais coisas que o necessário. Na verdade, quando você trabalha com músicos que sabem o resultado final que querem obter, tudo isso acaba fluindo automaticamente.

Como estão os ensaios e a agenda de shows da banda?
Eddie: A gente ensaia praticamente 18 horas por semana, está indo muito bem. A agenda está começando a ficar mais ativa, levando em consideração que somos uma banda de dois meses de idade!
Daniel: Estamos também acertando alguns detalhes para regravar os vocais em melhor qualidade, e estamos já produzindo novas músicas.
Eddie: Fizemos ontem um show com o pessoal do Kiara Rocks no Café Aurora. Dia 11 estaremos fazendo nosso segundo show no Manifesto Bar, um dos principais, senão o principal bar de rock de São Paulo, pra uma banda nova e de som próprio e de Southern Rock. Tá lindo!
Daniel: Inclusive quem quiser conferir onde a gente cria todo o barulho, é só chegar no Garage Studio, foi o único lugar que a banda se sentiu realmente à vontade de tocar, porque até estúdio no Brasil eh difícil achar, ainda mais o Eddie que estava acostumado com o Texas.

Eddie é o único guitarrista de Rock que usa Resonator Guitar (originalmente usada por músicos de Blue, Bluegrass e Country), o que garante a originalidade da banda. Essa influência direta do Blues é o maior diferencial da Razonator?
Daniel: Eu diria que é sim o principal diferencial, mas ao mesmo tempo, o que não é influenciado pelo Blues? Acho que o que diferencia, é essa maluquice de ligar um instrumento antigo num ‘ampli’ valvulado com distorção comendo pesada, tocando riffs que falam sobre toda a história do rock, onde você acha coisas dos anos 70, 80, 90... Tudo isso focado numa sonoridade atual e "nova". Mas não estamos reinventando a roda... Isso é simplesmente ROCK, é tão simples de se fazer que muita gente não consegue.

Falando agora da tecnologia disponível atualmente, a internet tem sido o maior meio de divulgação de várias bandas e, apesar de que muitas novas bandas tornam-se conhecidas através de redes sociais, web rádios e sites especializados em música, o compartilhamento ilegal de arquivos prejudica o mercado musical e os próprios artistas. Você acha que esse tipo de atividade pode vir a prejudicar a banda futuramente?
Eddie: Não acho, até porque a venda de músicas já não é a fonte principal de renda dos artistas tem muito tempo, hoje, pro artista gerar dinheiro, ele tem que se apresentar ao vivo e pra isso, ter as músicas divulgadas na internet ajuda e muito.

Como Eddie disse, vocês planejam fazer turnês na Europa no próximo ano, como está a expectativa em relação a isso?
Daniel: Estão ótimas, mas tudo depende exclusivamente de todo nosso suor e sangue... É preciso muito trabalho e dedicação para podermos tocar num lugar que todo mundo toca muito, e claro vencermos todas as barreiras que músico no Brasil enfrenta... Como nós mesmos que nos gravamos, precisamos sempre nos desdobrar para conseguir um mínimo de qualidade a que eles estão acostumados. Mas claro que tudo isso faz a gente ter mais força a cada dia e entender que amamos a música acima de tudo. Esperamos que com nosso esforço, a gente consiga em breve fechar esta turnê, pois o interesse por parte das pessoas do meio musical de lá já existe.

Muito obrigada pela entrevista e, para fechar, deixo o espaço aberto se vocês quiserem acrescentar algum comentário ou deixar alguma mensagem para os leitores.
Eddie: Queria agradecer pelo espaço e convidar todo mundo a ir aos nossos shows, comprar nosso CD e nos acompanhar no twitter e facebook!
Daniel: Bom, eu queria parabenizar pela sua iniciativa, e agradecer muito pela oportunidade. Quanto aos leitores: escutem nosso som agora, por que ler o que dois maltrapilhos têm a dizer não é o mesmo que escutar o som deles.

Um comentário:

  1. Poxa, muito bacana o Rezonator. Eu particularmente curto demais esse instrumento. Pena que poucos o utilizam. O bom é que não o massifica, preserva-o como um conceituado instrumento regional. Parabéns ao Rezonator pela iniciativa e propagação desta cultura. Os rapazes são de peso, o som é profissional e show de bola.

    Abraço.

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